quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Sem

Estive catando os meus retalhos e poderia escrever as letras mais tristes de uma noite quente.

Há tempos de vento e lua que me deixam assim, contando os passos, com pensamentos vagos e olhos fixos.

Eu escuto a imensidão de mim mesma, a intensidade de uma alma ardente.

Cai o verso, cai o corpo, cai o canto.

Uma queda de abismo, um vôo de sorriso, um mapa no deserto.

Não me escondo, deixo aberto.

Uma liberdade arrastada, que rasga um vazio cheio de nada.

Como música distante, como estrelas por perto.

Já não caminho,já não alinho, já não me acerto.

Eu fugi de mim para chegar em mim.

Eu fugi de mim para me encontrar.

domingo, 6 de novembro de 2011

Seu colorido

No meio de tanto cinza
Uma centelha que brilha
Escondida no meio das roupas
Entre as fotos, entre as bocas
Entre as letras perdidas
Uma centelha que brilha
Brilha e não aquece
Todo calor que existia
Em tanto cinza se esquece
E esquecida caminha
O colorido que tinha
Só os teus olhos conhece

Louise Mara

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Assim

Dando asas a quem quer voar
Dando luz a quem quer brilhar
Dando amor a quem quer ficar
Dando paz a quem quer amar
E no segundo cintilante
Que te modifica a vida
Deixar explodir a vontade
Que te incendeia as veias
Que te enlouquece as palavras
Que te dissolve, que te comove
Que te dilata.

Louise Mara

Ânsia

Tudo em mim te implora
Ando confusa com tantos desejos
Preciso os entregar
Preciso os expulsar de mim
Os mandar embora
Estou cansada de os ver por aqui
Estão sempre batendo à porta
Me pedem água e comida
Não me deixam dormir
E quando durmo
Não me deixam acordar
Invadem os sonhos
Gritam tantas vontades
Libertam tantos anceios
Me devoram por dentro
De tanto querer te devorar


Louise Mara

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Navegante

Para tudo que vivi
Não me faltou vontade
Para tudo que desejo
Não me falta coragem
Meu coração clandestino
Segue a sua viagem
Em seu barco sem destino
Está sempre de passagem
Em um cais, em um porto
Em alguma tempestade
No imenso mar da solidão
Iça as velas com a saudade
Sabe que agora é escuridão
Mas que em frente há claridade
Que há sol na imensidão
É o caminho da liberdade
Nele meu coração se completa
Nem inteiro, nem metade
É a vida de um poeta que se afoga 
No mar do amor que vive com intensidade

Louise Mara